blog quebrado

quarta-feira, 7 outubro , 2009

Meu blog não funciona e isso é um teste.

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ensaio online no domingo

domingo, 4 outubro , 2009

sax

 

Enquanto eu tento escrever uma crônica aqui, o João e os amigos ensaiam na saletinha ao lado com o professor de música da escola. É domingo, mas estão aqui em casa cinco adolescentes ensaiando uma banda. Acho que deve ser para alguma apresentação da escola, afinal o professor está junto. Não sabia que isso aconteceria e levei um susto quando, logo depois do almoço, alguns meninos e meninas entraram carregando instrumentos. Pelo que ouço, devem ter três instrumentos de sopro, um teclado e um violão. Será que tem violão mesmo? O João toca sax, me parece que alguém toca flauta e algum outro um trompete. Posso estar enganada, não tenho lá muito ouvido. Estou morrendo de vontade de ir checar, assistir, tirar fotos, essas coisas de mãe, mas não quero constranger os meninos, o professor e meu filho. Ixi. Esqueci até que crônica ia escrever, pois agora, do nada, uma menina começou a cantar. Em inglês. Sensacional, a voz dela é boa. Tá meio desconjuntado ainda, mas pra isso que está aqui o professor Clóvis, claro. Nossa, o professor veio tocar no domingo com as crianças… Podia estar à toa em casa, como eu, mas veio tra-ba-lhar. Ele deve adorar o que faz. Tá-tá-tá-tátátá, ele acabou de dizer bem alto, acho que pra colocar o som em ordem. Agora ouço só a flauta. Depois que o Joãozinho largou o basquete e passou a tocar sax, minha casa tem música o dia todo e vive cheia de meninos e meninas com instrumentos. Ele agora tem um blog de música com os amigos, chamado “saqueando a cidade“. O codinome dele no blog é Battisti. Super legal. Silêncio. Pararam de tocar. Batem na minha porta. Era o João que veio dizer que vão todos para a casa do professor pegar outro instrumento e já voltam. Que pena. Saíram. Na porta, o professor me diz: “não está fácil não”. Acho que ele também achou que eles estão desconjuntados e está preocupado. Ficou um silêncio aqui. Tomara que eles voltem logo.

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hotel sem cama

sábado, 3 outubro , 2009

prato_raso

 

Não podemos mais fumar em restaurantes e bares. Dá preguiça de pensar em ir num restaurante , porque você vai ter que sair na rua a toda hora. A gente fica tentando arrumar saídas para isso. Fazer encontros em casa, na casa dos outros. Mas no dia seguinte sempre tem aquela bagunça na cozinha que às vezes você não tá a fim de ver.
O cerco está super fechado. Outro dia levei uma chamada de um segurança do Shopping Vila Lobos porque estava fumando lá fora. Reclamei. Ele me mostrou uma marquisinha a 5 andares de altura e me explicou: “esse lugar é coberto”. Já peguei dois resfriados com essa coisa fumar lá fora, porque às vezes tá chovendo e frio. Tenho que parar de fumar, eu sei, mas também sei como é complicado. Já parei 5 vezes, na última fiquei 4 anos sem fumar e perdi tudo quando fumei o primeiro. Fazer o quê.
Pensando nisso, tive uma idéia ontem. Li que em alguns hotéis você pode fumar no quarto. Se o hotel deixar. Alguns hotéis tem quartos ou andares de fumantes. Pensei então em convidar uns amigos, fumantes ou não, e a gente ir jantar num quarto de hotel. Só que num quarto de hotel sempre tem cama. Seria super esquisito jantar com um monte de amigos do lado de uma cama. Pensei então que seria o máximo se existissem hotéis sem cama. Um quarto com uma mesa. Você ia com seus amigos pra lá e pediam uma comida, jantavam e iam embora.  Como se fosse um restaurante normal. Sem atrapalhar ninguém, sem levar bronca e sem ficar na rua pegando resfriado. Será que algum dono de hotel vai ter essa idéia?

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o chocolate sublime ainda vive

quinta-feira, 1 outubro , 2009

01102009390

Encontrei minha amiga Sílvia S. numa festa nesse último fim de semana. Ela me viu, saiu correndo, pegou a bolsa e me entregou esse… chocolate “Sublime” dessa embalagenzinha prateada. Eu fiquei mega emocionada desse chocolate ainda existir. Na época da faculdade éramos super amigas e viajamos juntas para a Bolívia e Perú. Fomos de trem, ônibus, carona e a pé, com mochilas enormes nas costas. Foram dois meses de viagem, muitas vezes sensacional, outras martírio total. Tudo era super legal, éramos animadas e nos dávamos bem, mas tínhamos uma única preocupação: não ficar doente. Se alguma de nós ficasse doente naqueles países, sei lá onde iríamos parar, além disso estragar a viagem da outra. Existiam boatos de muita gente que comia coisas estragadas e tinha infecção ou bebia água contaminada e tinha hepatite. Acho que voltamos com dez quilos a menos, mas sãs, e muito foi porque resolvemos só tomar coca-cola (ou inca-cola) e comer o mínimo possível. E para aguentar a fome, a gente se empanturrava de… chocolate. Sei lá que diabo de solução foi aquela, mas nossas mochilas sempre estavam cheias de chocolate e nós duas super pirilampas de saúde. No meu diário de viagem colei até uma embalagem de recordação, essa ai de cima da imagem. E a Sílvia, agora, vinte e cinco anos depois, fez a mesma viagem que a gente fez naquela época, mas de avião, avião, avião, com a família, marido e filhos. Contou que quando chegou lá, olhou numa banquinha e achou nosso… chocolate. Ainda existe, é fabricado pela Nestlé e, segundo ela, tem o mesmo gosto de antigamente. Não tive coragem de abrir e comer: pode estragar a magia do gosto de antigamente. A Sílvia S. disse que é igualzinho, mesmíssimo gosto. Não gosto dessas nostalgias de gente que vai ficando velha, mas juro que arrepiei quando vi a embalagenzinha na mão dela. Legal quando o mundo não leva embora tudo que a gente tem na memória.

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papo de arquiteto

terça-feira, 29 setembro , 2009

27092009359

 

Quando eu me formei as casas ainda tinham fachada. É. Você fazia um projeto de uma casa, estudava e estrutura, definia o conceito e, para apresentar o projeto pro cliente, você desenhava a planta, os cortes e as elevações da casa. Outro dia fomos buscar uma prima do Zé pra ir numa festa. Chegamos em frente à casa e tocamos a campainha. Ela telefonou e explicou: ainda estava tomando banho, estava sozinha, não podia abrir a porta, a gente podia esperar um pouco? Ficamos na porta, na calçada, olhando as casas ao redor na penumbra da noite, os dois. Foi o Zé que notou.
- Olha. Repara que as casas não tem mais fachada. Só muro.
- Hã?
- As casas, Lú. Olha as casas dessa rua. Não é só dessa rua, é da cidade toda. Acabaram-se as fachadas das casas. Ninguém mais tem fachada. Agora só se vê muro. A arquitetura dos bairros residenciais de São Paulo é só isso. Um monte de muros com fiozinhos em cima. Não sei o que é mais horrível, os muros gigantes ou os fiozinhos e sensores infra-vermelhos. E a coisa é tão louca que daqui a pouco incrementam esses fiozinhos e sensores, como incrementaram os portões. Tem uns lindos… (nota: o Zé é muito irônico) Fios coloridos, de neon, sensores com design arrojados. As fachadas das casas tem o design do medo.
- Não exagera, Zé. Se você entrar na casa, depois do muro, dá pra ver a fachada da casa. A elevação frontal.
- Não sei se tem distância pra olhar, o recuo da frente é sempre cheio de carros pretos e pratas. Olha, quer saber? Nós, arquitetos, nem precisamos mais desenhar a fachada da casa. Essa é uma vista inútil. Só portão e muro. As casas viraram ao contrário, o importante é a parte de trás, a parte protegida. Ei, o que você está fazendo, Lú?
- Tirando uma foto com meu celular pra colocar esse assunto no blog.
- Está escuro e de noite. Tira da nossa rua e de dia, dá na mesma. Lá também só tem portão e muro.
- Da nossa rua? Eu ein. Depois o bandido lê meu blog e reconhece nossa rua. Tenho medo.

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conversa de sábado

segunda-feira, 28 setembro , 2009

interrogacao

 

Estávamos no carro, eu e o Zé, no sábado pela manhã, pois saímos para comprar coisas pra casa. Estava o maior sol, e como eu moro perto do Parque Vila Lobos, sempre tem um monte de gente andando de roupa de ginástica pela rua.
- Lú.
- Oi Zé.
- Olha aquele cara ali.
- O sem blusa?
- É. Olha a barriga dele.
- É, é um cara bem barrigudo, Zé. Ele não devia andar sem blusa. A barriga fica maior.
- Mas ele não é gordo, olha as pernas. Olha os braços. Olha o peito. Quem é gordo tem tudo gordo.
- Realmente ele não é gordo, Zé, mas e daí?
- E dai que tem um monte de gente que é assim. Que tem um corpo normal e uma barriga imensa. Enorme.
- Tem mesmo, Zé, dizem que é barriga de choppe.
- Se fosse de choppe seria uma barriga mole, cheia de líquido, mas essa barriga desse cara é dura. Repara.
- Zé, onde você quer chegar?
- Nada, Lú. É só uma coisa que eu sempre penso, desde pequeno, quando eu vejo um cara magro com uma barriga enorme. O que é que tem ali dentro. Eu só queria entender o que tem ali dentro.

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novo endereço do frankamente: http://frankamente.itodas.uol.com.br/wp/

domingo, 27 setembro , 2009

vovo_marsiglio1969b

 

Não me perguntem porque que não sei resolver. Desde esse post que o “frankamente…” só entra assim: http://frankamente.itodas.uol.com.br/wp/.

E agora, o post:

Histórias de antigamente

Quando era pequena, na época do natal, todos os primos do interior vinham para cá. Ficavam hospedados na casa do minha avó Antonieta, que morava no mesmo prédio que eu. A família ficava animada para a festa, e os outros primos daqui de São Paulo vinham para a casa da minha avó para brincarmos. Era extremamente divertido, adorávamos aqueles encontros familiares. Tínhamos diversas brincadeiras. Meu primo mais velho organizava gincanas. Jogávamos jogos de salão, como banco imobiliário e detetive, os meninos mais velhos jogavam futebol de botão. Destruíamos a casa da minha avó, transformando o sofá da sala em barco prestes a naufragar, que sempre virava, estilo titanic. O quarto de hóspedes virava um trem fantasma, onde os monstros que andavam, ao invés da cadeirinha andar. Minha prima mais velha, a Zizi, junto com a prima Sílvia, irmã dela, nos ensaiavam para peças para representarmos no dia do natal. Elas gostavam de musicais, sempre escolhiam músicas inspiradas no filme da Noviça Rebelde. Eu adorava, principalmente da parte das fantasias.
Minha avó nos deixava fazer tudo. Acho que até gostava da bagunça, pois não me lembro de vê-la reclamar de nada. Mas tínhamos brincadeiras bobas pra burras, e uma delas consistia em nos enrolar no tapete. Não sei até hoje qual a graça daquilo, mas adorávamos. O lance consistia em um se deitar no chão, na bordinha do tapete, e os demais passarem a enrolar a pessoa junto com tapete, como se ela fosse o “recheio” de um rocambole. Usávamos para isso um tapete do quarto de hóspedes, um tapete pequeno, para não sufocar ninguém, onde os braços e pés ficavam para fora. Colocávamos a pessoa em pé e ela andava feito um robô, durinha, com passinhos mínimos, o que era mega divertido. Até que um dia resolvemos fazer essa brincadeira com meu primo caçula, que era menor que o tapete. Depois de enrolado, ele ficou sem braços, claro. Colocamos o priminho em pé. Saímos de perto para ele andar com os tais passinhos divertidos. Ele deu o primeiro, se desequilibrou e foi caindo devagar, lentamente, retinho, com cara no chão, sem ter como se defender ou se apoiar. Ninguém pensou em segurar o menino no meio do caminho da queda. Todos nós apenas ficamos olhando a cena, estáticos e incrédulos. Ele quebrou o nariz, teve que ir pra o pronto socorro do meu pai, ficou todo machucado, e levamos a maior bronca do universo. Tadinho. Não sei porque me lembrei disso hoje. Acho que é um sinal pra eu me me lembrar que tem brincadeira que é meio boba. E que a gente não pode deixar ninguém cair sem defesa.

E ATENÇÃO: NÃO SEI RESOLVER ESSE PROBLEMA, MAS PARA VER OS POSTS NOVOS O ENDEREÇO CERTO É: http://frankamente.itodas.uol.com.br/wp/

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my red label table

sábado, 26 setembro , 2009

26092009354

 

Tenho um escritorinho aqui em casa. Trabalhei anos nele, até que fui transferida para um escritório de verdade numa torre muito chique na Vila Madalena, para trabalhar junto com a M.. O escritorinho ficou às moscas. Lugar às moscas sempre fica entulhado de coisas que a gente não tem onde colocar em casa. Por exemplo, o pé da televisão nova de LSD que foi fixada na parede. As caixas de arquivo com as coisas de imposto de renda de 10 anos pra cá. O abajur quebrado. Máquinas velhas de retrato. Vinte e sete caixas velhas de celular com manual.
Quanto eu tinha o escritório em casa, o Zé arrumou pra mim umas mesas de escritório. Eram duas mesas com um prolongador, que viravam um tipo de “u” de mesas. Uma “estação de trabalho” de fórmica cinza claro. Era legal de trabalhar, mas o conjunto foi ficando velho e meio decadente, meio amarelado, feio pra burro, o que ficava pior por causa do clima de depósito.
- Lú, agora que você não trabalha mais aqui, manda fazer uma mesa normal pra você por o micro - sugeriu o Zé - esse lugar está horrível, cheio de tralha, com cara de escritório velho.
Achei a idéia ótima. Chamei o Inácio Marceneiro.
- Inácio, quero uma mesa de fórmica quadrada. Grande. Se eu não usar pra trabalhar, posso usar pra desenhar.
Foi quando ele sacou de dentro da mala um catálogo de fórmica com todas as cores. Ora bolas, porque não fazer uma mesa colorida? Pensei em verde, depois em amarelho, depois olhei bem e vi o… vermelho. Uau. Uma grande mesa vermelha. Não tive dúvidas.
- Inácio, vermelho.
A esperada mesa vermelha chegou essa semana. Nossa. Super vermelha. Fiquei dando pulos de alegria. Uma legítima Red Label Table, exatamente da cor do uísque, pensei. A sala ficou chique pra burro, me livrei das tralhas, coloquei meu micro sobre ela, e, depois de tudo arrumado, já de noite, anunciei para a família que ia escrever uma nova peça pra estrear a mesa red label table.
Ai meu Deus.
É que eu não imaginei como seria estranho, complicado, vibrante, assustador e quente trabalhar olhando para um fundo vermelhão. Nossa que horror. Nossa que maluco. A salinha toda ficou vermelha. Eu estava numa caverninha. Vermelhuda. Socorro. Corri na sala.
- E ai, mãe, como é trabalhar na mesa nova? - perguntou o Chico.
- Ai filho, que esquisito! Vem ver. Tá tudo vermelho em volta de mim! E agora?
Ele correu no escritório. Levou um susto.
- Nossa mãe, que vermelho. Você vai conseguir trabalhar ai? Credo.
- Acho que é porque tá de noite, Chico…
A família veio toda dar palpite.
- Uau, que vermelho… Bom, nunca vi mesa vermelha de trabalho, Lú, e olha que já fiz mais de mil escritórios na vida… - observou o Zé.
- Vixe, que “moderno”, mãe… - falou a Nana.
- Que da-hora! - riu o João.
- Mãe… que acha de comprar uma cartolina branca pra colocar em baixo? - sugeriu o Chico, tirando sarro de mim.
Tá, é estranho. Mas tou acostumando a trabalhar no vermelho. A primeira cena que escrevi foi de um assassinato, mas tudo bem. Todo mundo tem suas fases. Tou fase na Agatha Franka, pronto.

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o garagista violento

sexta-feira, 25 setembro , 2009

everest05_02

 

Liguei pra minha irmã ontem a noite.
- Tá boa, Ângela?
- Não, tou estressada, brava. Não tenho onde parar o carro quando vou trabalhar, tenho que parar na rua, andar quilômetros numa subida imensa. Um saco. Amanhã é dia de aula. Não quero nem lembrar.
- Ué, você não parava o carro num estacionamento do lado da escola?
A Ângela é professora.
- Acontece que nesse mês dia 5 foi sábado, Lúcia. Eu não paguei o estacionamento. Quando fui pagar, no dia 8, pois segunda foi feriado, o cara queria me cobrar 50 reais de multa. Imagina, eu pago 70 reais e teria que pagar 120 reais. Reclamei, aleguei que dia 5 era sábado, que dia 7 era feriado, falei que uma multa assim era ilegal.
- Nossa, que absurdo. Isso pode, Ângela?
- Sei lá se pode ou não pode. Mas o cara, ele se chama seu Perrone, esse seu Perrone, que é um cara invocado, falou pra mim que estacionamento é dele e ele coloca a multa que quiser. Eu fiquei insistindo: ”seu Perrone, dia 5 era sábado, o senhor tá de brincadeira, né?”, dai eu disse que é normal as pessoas pagarem depois, no primeiro dia útil depois do vencimento. E dai você não sabe, Lú.
- O que houve?
- Ele disse que eu sou professora mas que sou burra, porque essa regra acabou agora que tem internet. Que a gente pode pagar sábado sim. Imagina, lúcia, ele me chamou de burra! O seu Perrone me chamou de burra! Fiquei uma fera, brava, e o cara que ajuda ele me cochichou “dona professsora, cuidado que seu Perrone é bravo, já levou até tiro”. Nossa, fiquei com um medo do seu Perrone, Lúcia… Mas mesmo assim resolvi ser valente e ameaçei, nervosa “olha que eu não páro mais aqui, ein seu Perrone?”. E sabe o que ele respondeu? “Eu não estou nem ai, dona professora”. E assim eu perdi minha vaga, que eu podia fazer? Pagar 50 reais eu não pago.
- Ângela… nossa. ele chamou você de burra?
- Chamou!
- E agora?
- Agora eu sai de lá e tenho que acordar meia hora antes e andar quinze quadras a pé num ladeirão. Um verdadeiro Everest! Lúcia, como eu processo o seu Perrone?
- Não inventa, Ângela. Você vai estressar mais ainda. Não leu meu post de ontem?
- Claro que não, eu estou estressada demais pra ler post. Imagina, disse que eu sou burra! Ouvir que a gente é uma professora burra não dá! O pior é que a gente pode mesmo pagar o estacionamento no sábado e eu não pude dar uma resposta à altura pra ele. Pensei mesmo em ir adiante para me vingar do seu Perrone. Mas a mamãe disse que é melhor não, que gente de estacionamento é violenta, iii, que ela sabe, pra eu tomar cuidado, iii.
- Gente de estacionamento é violenta? Como ela sabe, Ângela? Ela nem tem carro, a mamãe.
- Vai ver que é por isso que ela não tem carro, Lúcia. Vai ver que um dia ela foi ameaçada por um cara de estacionamento e nunca mais dirigiu. A gente nunca entendeu porque ela não dirige. Vai ver que traumatizou um dia por causa de um cara de estacionamento.
- Os caras do meu estacionamento são o contrário do violento. Só dormem e comem biscoito.
- Nossa, que sorte a sua, Lúcia. Que sorte a sua. E tchau, que eu vou dormir que amanhã tenho que acordar cedo pra escalar o Everest por causa do seu Perrone.

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o garagista dorminhoco

quinta-feira, 24 setembro , 2009

polvilho

 

Fui numa festinha de aniversário na semana passada. Era perto do escritório, resolvi deixar o carro no estacionamento do prédio, pois o estacionamento fica aberto 24 horas. A porta fica fechada, mas a gente chama e eles abrem. Porém na hora que voltei para pegar o carro, chamei, chamei, chamei, mas ninguém abria a porta. Olhei lá dentro pelos vãozinhos e nada. Não tinha vivalma. Passei a gritar um pouco mais alto: moçoooo! Garagistaaaaa! Nada. Passei a bater no portão. Primeiro toc-toc, depois plam-plam, depois booom-booom. Na-da. Que droga. Gente, tentei de tudo. Suspirei. Óbvio. O moço dormiu, devia estar no décimo sono e eu, lá fora, não ia conseguir acordá-lo nunca. Não tem campainha na garagem. Fazer o que. Sai dali meio irritada a procura de um táxi. Uma coisa chatérrima.
No dia seguinte cheguei disposta a reclamar, mas o garagista do dia não era o da noite, e eu apenas comuniquei pra o outro cara o que aconteceu. Ele disse que iria falar com o garagista da noite, ficou todo preocupado: “nossa, senhora Lúcia que absurdo, coitada da senhora, eu vou falar com ele”, ele disse. Esqueci esse assunto. Na terça feira agora, me demorei mais no trabalho e quando desci dei de cara com o garagista dorminhoco. No primeiro momento, pensei em dar a tal bronca nele. Olhei para a cara dele, ele olhou para a minha. Ficou um silêncio. Claro que ele sabia que me deixou na rua no meio da noite. Mas naquele momento, me deu uma coisa e eu não disse nada para ele. Foi engraçado, pra falar a verdade. É que me deu uma coisa. É que brigar, dar broncas, discutir, são coisas que a gente faz e que depois sempre causam um certo mal estar. A gente fica com clima de bronca, e eu, naquele fim de tarde, não tava a fim ficar com clima de bronca. Olha. Não falei nada pra ele. Afinal, já tinha passado. E o que tem demais uma pessoa dormir? Na hora percebi que ele sabia o que fez e que tava arrependido. Ele tava esperando a bronca, mas eu não dei bronca. Coisas ruins, na minha opinião, tem que acabar logo. Coisas ruins a gente não faz boiar de novo, e, se faz, a coisa ruim aumenta. Queria pensar assim o tempo todo, acho que minha vida seria muito menos estressada. Ele me olhou sem graça, e antes de pegar meu carro, tirou um pacote de debaixo do balcãozinho e me perguntou:
- A senhora quer um biscoito de polvilho?
Peguei um monte e fui comendo na volta, sem clima de bronca. Tava uma delícia.

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a franka

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